O Núcleo Ecologias e Encontros de Saberes * para a Promoção Emancipatória da Saúde - Neepes – nasce de uma longa trajetória de pesquisas e ações sintetizadas na proposição de uma promoção emancipatória da saúde, tendo sido criado pela portaria GD-ENSP 060/2018 de 11/12/2018.
Em termos organizativos, o Neepes funciona como um Núcleo com forte caráter interdepartamental e interunidades apoiado pela Presidência da Fiocruz e a Direção da ENSP. Temos parcerias com diversos departamentos da ENSP e outras unidades da Fiocruz (Pernambuco, Ceará, Brasília e Bahia), além de cooperações nacionais (UnB, UFBA e UFAL) e internacionais (Universidade de Coimbra e Universidade do Chile).
Atuamos na pós-graduação em saúde pública da ENSP com duas disciplinas de mestrado e doutorado: uma introdutória de verão organizada todos os anos desde 2018 e já está em sua 9ª edição; e outra regular nos segundos semestres denominada EEPES (Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde).
Nos projetos de pesquisa, cursos e Encontros de Saberes o Neepes tem construído relações com vários movimentos sociais e experiências territoriais com foco e temas como territórios indígenas, periferias urbanas, populações afro-diaspóricas, agroecologia e cuidado comunitário.
Nossos diálogos interculturais privilegiam parceiros acadêmicos e intelectuais orgânicos indígenas, quilombolas, de periferias urbanas, sendo vários deles atuando como bolsistas dos territórios em projetos, pesquisadores associados, professores convidados e co-autores de trabalhos publicados. Também possuímos relações com Ministérios e instituições como o Ministério da Saúde (SUS e SESAI), MPI e a FUNAI, EMBRAPA Agroecologia, dentre outros.
Nos últimos anos temos desenvolvido vários projetos de pesquisa, com destaque para projeto de cooperação com os indígenas Munduruku do Médio Tapajós no Pará que lutam pela defesa do território, a segurança e soberania alimentar contra os impactos do garimpo e de projetos de “desenvolvimento”; projeto sobre interculturalidade e saúde em territórios indígenas e acadêmicos, envolvendo narrativas audiovisuais com coletivos indígenas do Nordeste (Tingüi-Botó e Xukuru do Ororubá), projeto com os Sem Teto da Bahia e organizações que atuam com favelas no RJ em lutas por moradia digna, agricultura urbana e práticas comunitárias de cuidado; cooperação com outros povos e comunidades como tradicionais de matriz africana, camponeses, pescadoras/es e quilombolas. Também destacamos o projeto Mapa de Conflitos envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, que desde o final de 2024 passou a integrar a estrutura da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz).
*O nome inicial usava Epistemologias no lugar de Encontros de Saberes, e foi substituído para facilitar o diálogo com pessoas e grupos não próximos da gramática acadêmica das ciências sociais e das abordagens pós-coloniais.